sexta-feira, junho 13, 2008

A GENTE SOFRE DE EXISTIR

Como a grama rasteira que se corta sempre
que se esfarela sempre no bolor do tempo
e nem gramínea consegue ser constante
a gente segue pelo mundo e vai errante.
A gente sofre o ser e neste ser sofrido
num constante devir, de vir e ir sentido,
a gente vai rasgando as folhas do tempo
e vai espalhando escrituras pelo vento
se esquecendo do que foi ou que tem sido.
Da vida os dias lentos vão sendo vividos.

A gente vai andando e a vida vem atrás.
A gente caminhando em busca de uma paz.
O mundo atropelando e a gente somente
querendo ser gente no espaço da mente.
E a gente postergando o direito de ser
somente delirando na arte de sofrer,
semente construindo da vida um sentido,
um roto movimento de esperança pelo ar,
vontade de não-ser, não-sofrer, e só amar.
Mas como? Se reverbera uma falta de raiz,
que fixe a juventude neste imenso país.

E a gente sofrendo o direito da existência,
com vontade enorme de pedir clemência,
querendo despedir-se, dar adeus ao que já foi
e assumir a sandice de uma vida que não é,
de uma vida que não diz a que veio neste mundo.
Há uma falta de razão, de um sentido profundo,
de um moto que esclareça da vida o viver,
de um sopro de esperança que apague o sofrer.
Pois no centro da existência, do jeito que a vida é,
falta Deus, falta Razão, falta ao Homem uma Fé!

Nova Friburgo, 02 de Março de 2005. (8h33m).

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