sábado, janeiro 13, 2018

CORAÇÃO ARDENTE

Alegria do coração, após o encontro...
Por todo canto, uma expressão de louvor,
expressão sincera de seres que sentem.

Sorrisos estampados, lábios que louvam.

Quando alguém se aproxima a tudo vê,
nestas vidas, emanações de novos seres:
abraços, sorrisos, palavras doces...

Em envolvente comunhão todos se unem
na adoração que alivia a caminhada.

Alegria...

Quando as portas do templo se fecharam
e a igreja foi pra casa após a comunhão
as almas são o culto em constante adoração...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
07/01/2018 (04h55min).

POEMA (?) NÃO DE DISCIPULADO!

Dedicado aos discípulos que abraçaram a missão dada pelo Mestre
e, especialmente, àqueles que ainda não entenderam a Grande Comissão
ou sequer nela estão interessados, para que entendam a tempo o seu valor…

não vou falar de discipulado, vou falar de estrelas cadentes
vou falar dos brilhos que não foram
de como alguma escuridão tomou conta de certos lugares
vou falar de certos ares
tristes como flores murchas em fim de festa
vou falar de pássaros em gaiolas
e de como não conseguimos lhes aprisionar o canto
vou falar do pranto, do incontido pranto dos inocentes
que foram massacrados pelo sistema
vou falar de pessoas simples
que carregam no peito sonho profundo
vou falar dos que foram largados no mundo
sem a esperança cristã
ou de qualquer espécie
você exige que eu não fale de discipulado
mas o canto dos pássaros ecoa das gaiolas
no trinado insistente de algum lamento
pela liberdade das árvores e do voo
pelo espaço infinito dos ares e do vento
e você acha que consigo suprimir da vida o amor?
ocupar-me-ei de que então?
dos feridos nas batalhas virtuais
que se travam dia a dia agressivamente
nesta Grande Guerra silenciosa
diabetes moral que mata aos poucos
dos que estão frustrados, magoados, ressentidos
porque um dos seus ficou pelo caminho
desistiu da vida cedo demais
restando beijos e abraços para dar
dos que precisam de alguém que lhes enxergue
e infunda em seus corações adormecidos
um tanto de fé na humanidade
cujo trem descarrilou na Sibéria
dentro do Expresso da Meia Noite Moral
ou no Serrado brasileiro
dentro dos vagões abarrotados de soja
vou falar das marcas indeléveis
que o Mal imprimiu na Sociedade
dos que viajam pela vida
sem mala e sem bagagem
na expectativa de aportar em qualquer lugar
para começar de novo e de novo
até a próxima viagem sem destino certo
vou falar sobre canções que as rádios não tocam
e sobre filmes que se assiste das janelas dos ônibus
vou falar de folhetos e estudos bíblicos
que ficaram nas estantes
de cartões de oração escondidos nas páginas
não marcadas de bíblias empoeiradas
vou falar do livro que não se escreve
daquele que se vive e registra-se no outro
falarei de tudo o que não seja discipulado
não vou escrever de cartas evangelísticas
nem sobre bilhetes de encorajamento
escreverei acerca de cartas sobre finanças
vou dar incentivos à produção
vou falar de trabalho, lucro e produtividade
e, quem sabe, com mais idade
vou viver dos dividendos
dos investimentos feitos
mas eu não nasci pra isso
não falar de discipulado é pedir para não ser
se eu não pedi para nascer
mas já que estou aqui, quero viver
quando eu encontrei a Cristo eu nasci de novo
sou nova criatura, surgiu um novo homem
não consigo mais viver solitário
não consigo mais olhar pro mundo
e ver tanta miséria, tanta solidão
não consigo enxergar pessoas mortas
caminhando junto com a multidão
e ignorar seu sofrimento
e não sentir, em nenhum momento,
a compaixão que Jesus sentiu
não consigo alienar-me da vida
se o Cristo em mim presente
me deu nova vida e, de repente,
me alcançou e fez feliz de novo
eu aprendi com o Espírito Santo
que é preciso repartir
que ao que vive triste e amargo pranto
é preciso o amor dividir
não vou falar de discipulado
mas quem caminha ao meu lado
vai ter que se esforçar muito pra ver Jesus?
vai reconhecer em mim, marcas do Cristo?
mais que isto, vai ser iluminado por sua Luz?
não me peças pra não falar de discipulado
não impeças que o Verbo encarnado
se materialize vivo em mim
calar-me é morrer em vida
e ver morrer os que por eles houve cruz
se discipulado é vida na vida
Jesus está em mim, eu em Jesus
não silencies a voz do Espírito
nem extingais a expressão de amor
se calares a Palavra que dá vida
se não houver transmissão da paz
não só não haverá discipulado
mas o mundo fará despedida
daquele que perdoa o pecado
e oferece a vida que satisfaz

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
04/09/2017 (a maior parte) e 11/01/2018 (a conclusão),
[11h53min].

quinta-feira, janeiro 11, 2018

FLAUTA

Era sem jeito, este meu jeito
            Deus meu,
jeito de não ser como queria;
com jeito de inadequação
            Deus meu,
estrebaria.

Era vida levada na flauta
            Deus meu,
sem quaisquer notas marcantes;
que até tuas falas me chegaram,
            Deus meu,
dissonantes.

Deus meu, tem misericórdia
de mim e desse meu jeito insano!
Sei que a vida passa rápido
e de longa, faz-se curta e breve.
E este meu ser ainda se atreve
à real experiência do Eu.
            Deus meu,
sem ter outra meta ou plano,
me frustro com o tempo já indo...
Queria a humildade do ser que exalta,
do Deus que dá sentido ao simplesmente,
faz nascer o sol e torna doce a flauta...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
05/01/2018 (06h17min).

quarta-feira, janeiro 10, 2018

SE DEUS QUISER…

Ah, nesta calmaria de tarde
em que a vida passa como salmo davídico...

Sinto a chuva repicar nos telhados,
e os sapatos velhos espirrarem água pelo chão.

Sinto uma névoa preencher o vazio do espaço
e o tempo ser sacudido pela meteorologia
e sigo abraçado num galho de árvore qualquer.

Os passarinhos procuram as copas das
árvores assim como os humanos as marquises.

Uma chuva forte se prenuncia
nos grossos pingos que marcam o chão:
Se Deus quiser haverá paz neste ano...

Sim, haverá a paz tão almejada.
A paz do tempo que se cumpre nas estações.
A paz dos pássaros que livres cantam nas madrugadas.
A paz dos humanos reinando entre as nações.

Penso que Deus quer! Mas, e se os homens não permitirem?

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
05/01/2018 (05h59min).

terça-feira, janeiro 09, 2018

É PROIBIDO PROIBIR

À Noemi Cardoso Soares em seus 18 anos

2018:
Cinquenta anos do ‘É proibido proibir!”
Dezoito anos de minha filha Noemi.

Anos são marcantes em nossas vidas.
Certos anos são marcantes numa geração.
Certos ditos marcam épocas.
Certas falas somem da história.
Pessoas deixam marcas ou
simplesmente desaparecem...

Caetano Veloso eternizou o
“é proibido proibir”
em sua canção de
1968:
“Eu digo não ao não.
Eu digo.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.”

Isso não vai parar não?

Parou.

Naquela época
ele repetiu na canção
o famigerado jargão
da música-hino
contra a censura
contra a ditadura...

Os anos passam.
Mudam-se as ideias.
O vento sopra onde quer.
E o que era já não mais é...

Só enxerga
quem tem ouvidos para ouvir
e vontade de entender.

Caetano ficou enraivecido
com os jovens que o vaiaram:
“Os jovens não entendem nada.
Querem matar amanhã
o velho inimigo
que morreu ontem”...

Ah, como estas ideologias
são mesmerizações do espírito humano:
feitiços castiços da alma sem paz.
Tanto a esquerda como a direita matam...
...e morrem!

Ah, nada como o tempo!

Tempus fugit!

Virgílio já falava em suas Geórgicas:
“Sed fugit interea fugit irreparabile tempus”.
"Mas ele foge:
irreversivelmente o tempo

f           o          g          e".


Não é à toa
que se reproduz por ai,
tresloucadamente,
a expressão
de autoria desconhecida
(mais para ditado popular)
que, porém, é impecável:
“O Tempo é senhor da Razão!”
E, não nos esqueçamos:
Deus é o Senhor do Tempo!

Caetano, hoje, é a favor da censura.

Pode isso, Arnaldo?

Pode.
Vivemos a era do tudo pode:
proibir ou deixar de proibir;
parar de proibir e depois voltar atrás...

Caetano é outro.
Juntou-se aos que são contra
as biografias sem autorização.

Isso é censura prévia.

E tem mais artistas que embarcaram nessa.
Todos seguem um Rei:
Roberto Carlos,
o rei da farsa biográfica...

Como disse Ruth de Aquino:
“são músicos brilhantes,
mas péssimos legisladores.”

Tem-se o direito
de ser e se fazer
o que se quiser nesta vida...

Mas, lembre-se:
“Cada qual
vai dar contas
de si mesmo
à Deus!”

Tem-se o direito
até de mudar de lado...

Mas, por favor,
mude para o melhor.
Encontre, pelo menos, o lado bom da vida.
Saia do pior para o melhor;
não faça o caminho inverso.

1968:
o ano da Primavera de Praga!

Revolta.
Jovens na rua.
Protestos.
A busca da liberalização política
da União Soviética opressora.
A Tchecoslováquia
não aguenta mais...

Milan Kundera.
Quem dera
que todos sonhos sonhados,
(quem dera)
fossem de fato alcançados...

O escritor se envolveu na
Primavera de Praga:
A Insustentável Leveza do Ser!

A vida é um rascunho de si mesma:
Os anos passam rápido.
Mudam-se ou fixam-se as ideias.
O vento sopra e sopra onde quer.
E o que era de um jeito, daquele jeito mais não é...

Só enxerga
quem tem ouvidos para ouvir
e vontade de entender corretamente...

A vida foge entrededos.
Como água que não se agarra com as mãos.

Quantas gerações não entenderam
que a Água Viva
não sai de um poço fundo
mas é servida em êxtase?
(metafisicamente)
O mistério insondável
de nunca mais voltar a ter sede...

Milan Kundera entendeu a frágil natureza:
do que se chama por aí de destino,
dos loucos anos que se vive,
da tão sonhada liberdade humana...

1968 - 18 = 1950:

O Brasil quer se reposicionar diante do mundo.

E certos acontecimentos marcam a História:

Em Tanguá, Rio de Janeiro,
um trem cai numa ponte –
matando mais de mil passageiros...

Ocorre a tão sonhada Copa do Mundo,
e o Maracanã vive silêncio profundo...

Inaugura-se a Tevê Tupi,
a primeira emissora tupiniquim...

Getúlio Vargas em eleição idílica
torna-se presidente da República...

Tudo isso seria só grandioso,
se não o fosse também penoso:

Junto com o trem de triste memória
o Brasil perdeu sua malha ferroviária.

O Brasil perde a final para o Uruguai;
drama, que da memória, não mais sai...

Inaugura-se a Era da Vênus Platinada
e o país se faz vil pornochanchada.

Com um tiro no coração Vargas se vai
sai da História quem dos pobres fez-se pai...

Vargas gerou Juscelino...

Os anos cinquenta precisavam de um mito.

Juscelino Kubistchek.

O Brasil quer crescer!
Quer deixar de ser:
O Gigante Adormecido!
Quer aproximar o Futuro.
Invadir o Presente de Realidade.
Deixar de ser apenas Sonho.

Avançar.
Expandir-se.
Modernizar-se.
Ser Presente:
um País que faz diferença
na História do Mundo!

50 anos em 5...

Mas, a ditadura estava
logo ali na esquina do progresso...

E, 1964 gerou 1968:
“O Ano Que não Terminou”
Zuenir Ventura enxergou...
O conturbado ano,
que mexeu com o mundo,
sacudiu o Brasil.

O mundo dá muitas voltas.
Cada geração vive as conquistas
das gerações anteriores;
vive as consequências, de suas lutas.
Cada geração vive as consequências
de suas escolhas e,
deixa legados...

Anos sintetizam ideias
e resumem desesperos...

Nada é como se aparenta.
É insustentável a leveza das ideias
e sonhos desmoronam-se mais rápido
do que se realizam...

Filhos de pais liberais são caretas.
Jovens querem contrapor modelos
e apresentar alternativas nem sempre viáveis.
Revoluções vêm da mente,
mas, revoluções também vêm do coração.

A revolução do amor trouxe:
a pílula anticoncepcional,
a liberalização da mulher,
o feminismo,
o sexo livre,
a camisinha,
Woodstock
Lolita
e Wladimir Nabokov.
Além do pop star maluco
que se disse
mais famoso que o Cristo
e morreu assassinado...

2018:
Cinquenta anos do ‘É proibido proibir!”
Dezoito anos de minha filha Noemi.

Anos são marcantes em nossas vidas.
E anos são mais marcantes ainda
quando os construímos com dedicação.
De certos anos fazemos despedidas
se não quisermos ficar na berlinda
Entre erros e acertos duma geração.

Certos ditos marcam épocas.
Certas falas somem da história.
Pessoas deixam marcas ou
simplesmente desaparecem...

Caetano Veloso eternizou o
“é proibido proibir”
em sua canção de
1968:
“Eu digo não ao não.
Eu digo.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.
É proibido proibir.”

Isso não vai parar não?

Parou.

Anáforas cansam.
Como cansa a repetição do erro,
a permanência no pecado.

Dezoito anos...

A idade
(ah, a bela idade)
que se convencionou
ser da maioridade...

Um passe livre para o mundo...
O mundo ao alcance das mãos,
o sonho projetado na vida.

A realidade é nua e crua.

O ser livre
para comandar os próprios destinos
é doce ilusão!
(Que por prática destoante
pode-se tornar amarga...)

O conceito de liberdade
é o conceito mais belo que já se viu...
...e, também, o mais mentiroso!

A dubiedade é sua marca!

Usa-se a pretensa liberdade para
ferir o próximo e a existência.

O ser humano quer uma liberdade que não existe.

Jesus veio reescrever este verbete,
mas os dicionaristas ainda não se converteram:
“se pois o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres...”

Minha pequena Noemi:
Agradável é o seu nome.
Não se envolva com esta geração do mi-mi-mi.

Neste emblemático 2018,
para o Brasil e você
que você consiga perceber
que todas as coisas são lícitas
que tudo é possível ao que crê
mas que nem todo legal é moral
e que nem tudo convém

se queres de Deus o Amém!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
09/01/2018 (07h56min).