quarta-feira, julho 26, 2017

TEM DIAS QUE O DIA…

Tem dias que o dia parece que não existiu
que o relógio da vida parou e os sinos não badalaram
e os sons ouvidos não ecoam músicas
e os cheiros não eram de alimentos
e os sabores trocaram de bocas
e o louvor não saiu do templo
(porque nele também não entrou)
e se pressentiu a morte
e se viu de perto a noite
e se molhou de chuvas
e se viu desabar a casa
e os corpos tombaram
e as famílias se desestruturaram
na ruína do sonho
na sequidão do amor

tem dias que o ponto de ônibus está vazio
o lava-jato não molha o chão
o hot-dog da esquina não fumega
e não há maior preocupação
se anda e não se vai a lugar algum
se escreve e a folha permanece em branco
se abraça e não há aconchego de corpos

tem dias que não são só as nuvens que estão cinzas
tem dias que o pensamento adormece
a boca se cala
e o louvor engasga a comunhão

nestes dias, Deus socorre
o socorro bem presente na angústia
e a gente acorda novo, de novo,
no dia seguinte a estes dias.

Josué Ebenézer Rio de Janeiro,
22/06/2017 (15h31min).

A HISTÓRIA NOS PERSEGUE A ALMA…

A história no persegue a alma
o passado é sombra logo ali atrás
a tradição anda rente a nós
como os que armam emboscadas
para surpreender os incautos da fé
o futuro da igreja lança pedras neste chão
anda à frente como os velocistas olímpicos
que aproximam o futuro

o futuro do cristianismo
ainda é uma marca
a ser impressa nas atas das igrejas,
nos discos rígidos dos computadores,
nos livros, panfletos e folders
mas, acima de tudo, nos rotos rostos,
nas famílias restauradas e nos
conclaves abertos à experimentação da fé
que organizarão a sabedoria

o passado precisa ser visto
para se construir um futuro melhor
o passado precisa ser revisto:
não podemos nos atolar na lama do desespero

pássaros mudam de lugar
ante o susto da presença alheia
pelo voo da liberdade natural;
homens permanecem em seu lugar
pelo medo do desconhecido

o sonho nasce do pensamento
a ação, do sonho
a mudança, da fé
o cristianismo voa nas asas do Espírito
cães não herdam o Reino dos Céus.

Josué Ebenézer Rio de Janeiro,
22/06/2017 (15h16min).

SOLITUDINE

“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho.
E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho”
(Paul Tillich).


Às vezes se está muito só,
quando se está muito sol:
iluminando a vida d’outros
e vivendo na opacidade!

Um pouco de solidão é preciso
não aquela de se sentir só
e ansiar a presença de alguém.
Mas aquela de se estar em retiro
poético retiro de quem –
se afastou para se aproximar
de si mesmo e mais ninguém.

Esta é a solidão dos sábios
que se afastam para pensar.
Rejeitando alfarrábios;
com a alma conversar.

É a solidão dos que buscam
a voz do silêncio puro
sem ruídos tecnológicos.
Dos que almejam o fluxo
dos saberes que lustram
os pensamentos lógicos.

A solidão de pessoas
faz sofrer e desgarrar
expondo a alma carente.
Coisa triste estas garoas
que neblinam o aproximar
em quem quer estar com gente.

Coisa triste a solidão
de quem não queria isso
queria outro coração
para se ter compromisso.
A solidão forçada
é triste de se ver.
A pior pessoa amada
não se consegue deter.

Às vezes se consegue ficar
solitário na multidão.
Há quem saiba se isolar
escondendo sua razão.
Mas quando se quer o vazio
de pessoas e suas falas
e alguém quebra este ócio
não tem como rejeitá-las.

A solidão do claustro
pode aproximar de Deus,
mas, que se largue o fausto
dos corações ateus.

Para o preso em solitária
a solidão é castigo
que aflige a alma pária
necessitada de abrigo.

Estes tempos agitados
de frenesi e roldão
deixam os seres enlaçados
em teias de comunicação.
É difícil de se soltar
e alcançar a solidão
dos que querem encontrar
alguma paz no coração.

Se há tempo para tudo
há tempo de se estar só
e há tempo, sobretudo,
pra chorar e sentir dó:
dos solitários do mundo
que amargam a solidão
mas têm sonho profundo
de viver outra emoção.
Dos oprimidos da vida
que desejam se afastar
para fazer despedida
das garras do mal estar.

Hoje as redes sociais
nos interligam a quem
não conhecemos jamais.
Estes tempos modernosos
que apenas entretém
acabam sendo penosos.

Precisamos da reclusão
pra refazer o pensar.
Precisamos da oração
pra reaprender a amar.
Precisamos de um tempo
para estar a sós com Deus.
Para sentir do doce Vento
os caminhos do adeus.

As despedidas do mundo
dos compromissos vazios
que causam uns arrepios
em nosso ser infecundo.
O afastar do vil pecado
em busca da sanidade
é o aproximar do Amado
que propõe a santidade.

Diga não à solidão da fuga
pelas graças do alambique
que deixam sozinho ao chão.
E, como disse Paul Tillich,
há uma glória que não refuga
em outro tipo de solidão.

Que a solidão logo chegue
no coração de quem quer
um tempo pra refletir.
Que a solidão se despregue
daquele que muito requer
um alguém para se unir.

A linguagem é dinâmica
e criou uma semântica
pra definir a solidão:
é a dor de estar sozinho.
Se há glória nesta atitude
o seu nome é solitude!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
19/05/2017 (14h50min)
na fila do banco.

terça-feira, julho 18, 2017

PENSE EM QUANTAS PREGAÇÕES…

Pense em quantas pregações foram feitas, para chegarmos a esta Igreja;
quantos cultos necessários, para chegar a esta fé;
e quantas bíblias lidas, para fazer viva a Palavra
como chama que flui qual lavra, do incandescente amor;
e quantos invernos, passados juntos
para afastar do inferno, seres moribundos;
e quanta oração levantada aos céus dos nossos sonhos
onde habita Deus, que preenche o Santuário
dos corpos restaurados, das vidas redimidas
em que Deus enxugou as lágrimas e eliminou o pranto
vidas consagradas, templos do Espírito Santo.

Deus está assim nestes dias
diante dos tantos e quantos
dos senões e dos prantos
de cada átomo que se fez pensamento...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
05/06/2017 (13h47min).

É BOM OUVIR TESTEMUNHOS…

É bom ouvir testemunhos dos outros
como quem se prontifica a ajudar
uma senhorinha a atravessar a rua.
Testemunhos são experiências vivas de alguém
que atravessou o nosso caminho
e como flecha certeira, o coração.
É bom ser tocado pelo Espírito
e arrebatado aos páramos celestiais.
Palavras que conduzem sentimentos
e espiritualidade nos fazem flutuar.
É bom usar palavras que incendeiam
ao simples contato com a atmosfera espiritual
que permeia os corações unidos pela fé.
É bom dizer amém, dar glórias e aleluias,
e ter a convicção de que “vencendo vem Jesus”.
É bom se deparar com crentes pelas ruas
e perceber inconteste suas vidas transparentes.
É bom se sentir parte de um povo redimido,
de um povo separado, de um povo escolhido.
É bom esbarrar alhures com a chuva do amor
que num repente se faz enchente de solidariedade.
É bom vestir-se na manhã preparado pra uma grande festa;
não se sabe o que há de ser o dia,
mas não será em nada diferente
da capacidade de se viver em harmonia.
É bom estar preparado para o Encontro
que se apresenta com Deus diariamente
e se propõe alvissareiro com o povo seu.
Se tudo isso é bom...
“Quão bom e quão suave é
que os irmãos vivam em união!”

Josué Ebenézer Bom Jardim,
05/06/2017 (13h10min).

ESTOU NESTE DOMINGO…

Estou neste domingo como numa festa
o povo veste-se como em umas bodas
estamos no templo como numa floresta de nuvens grávidas.

A manhã de hoje é uma passeata de esperanças
nosso encontro é um protesto articulado
à mesa do Senhor, o pão e o vinho
e nos corações, a rejeição ao pecado.

Dos céus, em breve, nascerão das gestantes
as chuvas de bênçãos que o povo quer
a toalha da mesa com um bordado
“em memória da mim” e um cacho de uvas
a Videira Verdadeira e o Pão
a temperatura estava alta
um erro meteorológico da estação
e o Espírito achava espaço para enchimento.

Era alegre o culto
era festivo o dia
estou sob domínio do Espírito
na terra dos sonhos
no país do amor
na faculdade das letras vivas.

Abro os horizontes até o infinito
e estico os sonhos sobre a mesa de corte
e com a régua e o giz vou
delineando as peças da esperança
que surgirão do labor.

Volto ao ambiente que celebra a comunhão
é a música que me traz de volta
a memória é o carbono espiritual
que registra a benfazeja graça do Deus trino.

O pão é partilhado por todos
o cálice passa de mão em mão
se horizontaliza a comunhão
e a alegria toma conta dos corações.

Estou nas consolações do Espírito
desfrutando dos entranháveis afetos e compaixões
na antessala dos céus
à espera do gozo completo
do memorável dia de estar na Glória do Pai.

Como peixes alados viajamos daquele culto
acompanhando a Pomba branca
que faz o movimento migratório para o Paraíso.

Josué Ebenézer Monerat,
05/06/2017 (12h23min).

domingo, julho 16, 2017

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde
para aprender.

Nunca deixarão de existir
estrelas brilhando.

Nunca cessarão os sons
das canções de Sião.

Ouça:
é música dos céus!

Nunca vão parar os brilhos
que têm sons divinos.

Josué Ebenézer Macuco,
05/06/2017 (11h47min).

É CHEGADO O AVIVAMENTO

É chegado o avivamento.

Pela força da fé
o futuro faz-se crível;
o distante, aproxima-se
no instante, em que o transcendente
rompe a barreira da matéria.

A morte recua
avizinha-se a vida
brilha a luz do Cristo
o Espírito guia
a mente pensa o sonho
brota o amor.

Tão alvorada, era noite iluminada.

Josué Ebenézer Macuco,
05/06/2017 (11h34min).

É MAIS FÁCIL ESCONDER DEUS…

É mais fácil esconder Deus,
do que qualquer planeta,
mesmo sendo Deus maior que tudo.
Uma lente telescópica aproxima os astros
e Deus se vê a olho nu na simples flor.
Os olhos que poderiam ver Deus,
agora o escondem.
O pecado encobre a santidade do Universo.
É mais difícil o amor
repousar sereno nos corações,
que um camelo voar de dentro
do globo ocular dos que sonham.
O ácido lisérgico substitui
o incondicional amor de Deus.
E as pessoas viajam
em sonhos paralíticos.
Pode-se tocar a Obra de Deus,
mas não se sabe pronunciar o seu nome.
Pode-se ser emudecido por um beijo,
mas não se deixa ser aquecido
pelo toque do Espírito.
É preciso se tirar a trava dos olhos
e a frieza do coração.
É preciso voltar ao primeiro amor
e redescobrir o quanto de amor
existe no nome Deus.

Josué Ebenézer São Sebastião do Alto,
05/06/2017 (11h17min).

PREGADORES QUE PREGAM…

Pregadores que pregam apenas temas de autoajuda;
pastores que pastoreiam só as ovelhas gordas;
músicos que só tocam seu próprio umbigo;
cantores cujas vozes não acariciam a alma

artistas da religião
com suas máscaras de palavras,
uma maquiagem sonora
com cenários de festim;
turistas da espiritualidade
que aprenderam a linguagem do gospel;
enamorados de si mesmos
que negam a eficácia do Evangelho;
pais de criaturas asquerosas;
progenitores de um mundo espiritual
sem o Deus único e verdadeiro

Josué Ebenézer Valão do Barro,
05/06/2017 (10h45min).

HÁ OS QUE SÓ CONHECEM DEUS…

Há os que só conhecem Deus pelo bradar de uma voz no púlpito;
os que só conhecem os mandamentos
das folhas que barulham da Bíblia aberta;
que só sabem do fogo do Espírito
pelas mãos que agitam palavras descontroladas
de um sermão sem vida própria;
os que enxergam a Teologia
como reminiscência de uma época passadista;
os que conhecem a história dos hebreus,
mas não têm história com Deus;
os que navegam na fé dos outros,
mas não a têm suficiente para um porto seguro;
os que acham que o discipulado
cabe num folheto evangelístico
e que a oração é a morfina
que tira a dor de existir dos fanáticos;
eu, porém, prefiro acreditar que Deus
se relaciona comigo em amor
e que esta precisa ser uma experiência diária,
pois não sei viver sem sua graça e favor.

Josué Ebenézer Ibitiba,
05/06/2017 (10h35min).

AS CONQUISTAS PERTENCEM AOS SONHADORES…

As conquistas pertencem aos sonhadores;
a vitória, aos que lutam;
a colheita, aos que plantam;
os filhos espirituais são dos discípulos que semearam corações;
o conhecimento é dos que empreenderam viagens
(os que deixaram seus recônditos
para se aventurarem nos mundos do saber);
as fotografias são os registros dos instantâneos da vida,
mas a memória é a retenção das vivências da derme.
O amanhã pertence aos que voaram do passado...

Josué Ebenézer Cambiasca,
05/06/2017 (10h10min).

quinta-feira, junho 29, 2017

ATEAR SONHOS

Podemos atear sonhos
às mentes das ovelhas
fazê-las esquecer o pasto
grama por grama
e viajar montanhas
altiplanos espirituais
onde as nuvens próximas
são desafios de Deus
mas não podemos esquecer
que o peso da experiência
não pode ser sonhado
tem que ser experimentado
corpo a corpo
palmo a palmo
deste novo céu
que Deus originou
em nosso imo

Josué Ebenézer São Fidélis,
05/06/2017 (09h55min).

NA IGREJA…

Na igreja subtrai-se
a capa do pecado
e acontece o brilho.

No culto contempla-se
o véu rasgado
e a glória do Filho.

No louvor afirma-se
o ser libertado
não mais andarilho.

Na oração encontra-se
o Deus revelado
e nenhum empecilho.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
13/06/2017 (09h27min).

SAIU A SEMEAR…

(“...saiu a semear” – Mt 13.3b).

A semeadura é um movimento.
É preciso se mexer,
sair do ostracismo,
deixar a zona de conforto,
encarar o próprio Mar Morto
em busca de alguma vida.

A semeadura é um ato de fé.
É depositar a confiança
de que a viva esperança
que habita o coração;
fará brotar do solo sépia
o verde que revigora
e revitaliza o terreiro
com as folhas da plantação.

Mas a semeadura só acontece
quando o trabalhador
imbuído de propósitos
sonha com seus depósitos
cheios de realização.
Celeiros abarrotados
à partir de semente
que sequer se vê
escondida sob a terra
cuja esperança que encerra
um dia vai florescer.

A semeadura como movimento
conclama a ingente ação
há que existir esforços
investimentos seguros
visando à colheita.
É movimento que acontece
primeiro de dentro pra fora
dos sentimentos, da vontade,
que logo no ser aflora.

O semeador tem que sair
de seu medo, resistência,
de seu avesso ao novo,
pois não haverá renovo
se não houver paciência.
O plantio é investimento
de quem vence a tentação
dos longos braços cruzados.

É movimento pra dentro
da terra que se oferece
como útero da Natureza
pra receber a semente.
E assim renova a beleza
quando germina e cresce
e faz-se bela promessa
derrotando a incerteza.

Só colhe bênção madura
dessa lavoura abundante
o que que se faz constante
na arte da semeadura.
É preciso semear com amor
ter o sonho da colheita
encontrar a terra boa
e esperar no Senhor.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
30/05/2017 (05h55min).